Thursday, 17 September 2009

Ficar de castigo 3

AGREDIR NÃO RESOLVE NADA

Com o cansaço e as preocupações do dia-a-dia, muitos pais descontrolam-se e acabam por bater ou sujeitar a criança a agressões psicológicas, com sofrimentos evitáveis para ambas as partes. «Não prestas para nada», «não te quero ver mais à minha frente», «nasceste só para me dar trabalho...» Por vezes, no desespero do momento, diz-se e faz-se o que não se deve. «Quando isso acontece, os pais devem pedir desculpa e explicar que estavam irritados e preocupados com outros problemas que não tinham a ver com a criança. Devem assumir que erraram», afirma Eva Delgado Martins. «Na verdade o que os pais não gostam é de determinados comportamentos dos filhos e não dos próprios filhos. Isso deve ser dito.»

Condicionar o comportamento através do uso da força não tem qualquer valor. «Bater cria revolta e vontade de vingança, não faz com que o comportamento mude, a criança obedece por medo e não por interiorizar as regras». É preciso ajudar as crianças a avaliarem, por si mesmas, os limites do seu comportamento e a serem cada vez mais autónomas e isso não se consegue recorrendo à violência. «Os pais agressores são adultos inseguros, estão insatisfeitos consigo próprios, têm dificuldade em relacionar-se com os outros, usam a força como meio de interacção». E é esse o modelo que transmitem aos filhos, que crescem com baixa auto-estima e dificuldade de relacionamento. «Quando os pais deixam de bater em casa, os filhos deixam de bater na escola». Repreender é necessário mas deve ser, sempre, um acto construtivo. Nada justifica a violência.

Sugestões para os pais não perderem a cabeça:

De nada servem castigos excessivos. As consequências devem estar relacionadas com o comportamento, ser adequadas à idade e ter efeitos imediatos. Deixamos algumas dicas:

1. Se não quer comer sopa: come legumes como alternativa.

2. Se recusa o almoço: só voltará a comer na refeição seguinte.

3. Se não quer ir para a cama: vai para a cama, explicando-se as razões porque o deve fazer, não tem opção.

4. Se bate no irmão ou no amigo: explicar que quem bate não é capaz de convencer o outro das suas razões. Afastar a criança alguns minutos, para que reflicta e peça desculpa pelo comportamento.

5. Se recusa fazer os trabalhos de casa: prestar ajuda. Se continuar a recusar sem motivo, terá de os fazer a duplicar.

6. Se estragou ou perdeu algum objecto: diminuir a semanada ou retirar parte desse valor do mealheiro para substituir o objecto em causa.

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